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Junho 25, 2011 / Mafalda Sequeira

Página > Statement 2

À semelhança do primeiro, o segundo statement procura questionar o papel do leitor. Se, no primeiro, o leitor era comparado a um mirone, agora é-o a um autor (ou autoridade). As frases escritas num tamanho de letra menor permitem decifrar a mentira que constitui a citação destacada. Na realidade, deveria ler-se «print… reinforced the sense of the author as an authority.» em vez de «print… reinforced the sense of the reader as an authority.», bem como Jay David Bolter em vez de Mafalda Sequeira.

O que os dois statements procuram deixar implícito, é a importância do leitor/espectador como sujeito que interpreta e julga um texto/objecto. O lugar do sujeito deverá estar entre os dois extremos (mirone/autor). A fiabilidade do autor é também questionada, bem como a associação dos livros (print) à verdade.

O statement acaba por não ser uma “declaração de intenções” mas uma “declaração de interrogações“.

Junho 25, 2011 / Mafalda Sequeira

“Isto é um Livro de Autor”, de Mafalda Sequeira

Biografia de Mafalda Sequeira

The Man Who ####

Citações de A. D’Almeida S. Sousa, Angel Crespo, Cristiano Lima, Espen Aarseth, Jacques Derrida, Jay David Bolter, Michel Foucault, Roland Barthes

História da Ruminação, de Jacques Derrida

Fotografias Inéditas na Colecção de Mafalda Sequeira

[livro em branco 1]

[livro em branco 2]

Junho 23, 2011 / Mafalda Sequeira

“Mitologia Classica Illustrata”

“Mitologia Classica Illustrata” é o resultado do workshop realizado no dia 20 de Maio. Foi elaborado utilizando apenas fotocópias, carimbos e letras de decalque.

Tal como nos “cavalos de tróia”, existe uma discrepância entre a aparência exterior (capa) e o interior da publicação. Mais uma vez, a capacidade de entendimento do leitor é colocada à prova, não só pela discrepância capa/conteúdo, como também pelo próprio conteúdo em si. Pressupondo que o reconhecimento de um autor se faz normalmente pelo nome, associo vários nomes de autores a fotografias de figuras aleatórias. Para o leitor/ espectador, isto não causa estranheza, porque geralmente ele nunca viu nenhuma imagem do autor. Eu, como autora, construo a realidade.

Junho 7, 2011 / celiacastelo

A Morfologia Editorial Nos Limites da Página

“Now the paratext is neither on the interior nor on the exterior: it is both; it is on the threshold(…)”


Download PDF Prière d’Insérer

Maio 25, 2011 / fasteranaagogo

«Con-cep-tu-al art-ists are mys-tics rath-er than ra-tio-nal-ists.
They leap to con-clu-sions, that lo-gic can-not reach.» *

animação resultante da experiência efectuada no workshop de 19/20 maio

-//-

ACKNOWLEDGEMENTS:

* Sol LeWitt

Bern Porter

John Cage

Maio 24, 2011 / miguelcmonteiro

STATEMENT // 2.1 // A autoria na página

Maio 24, 2011 / miguelcmonteiro

// MARGINÁLIA //

Maio 15, 2011 / madalenapestana

A Map For The Spotless Territory – statement & process

Maio 12, 2011 / Mafalda Sequeira

Página > fase 2.1

+ ERRATA

Pretendo questionar a forma do livro e a sua fiabilidade (associada ao suporte físico e à autoria). Na primeira experiência de publicação, existem inúmeros erros, que colocam em causa a legitimidade das afirmações e a consistência do objecto. Cabe ao leitor descobrir e diferenciar a verdade da mentira.

Maio 5, 2011 / fasteranaagogo

fase 1 – A NARRATIVA COMO LUGAR INSTÁVEL (processo)

Maio 3, 2011 / jaimeks

P.Á.G.I.N.A.-fase1

Essa arte (de perder-me numa cidade) aprendi tardiamente; ela tornou real o sonho cujos labirintos nos mata-borrões de meus cadernos foram os primeiros vestígios.”

Walter Benjamin

O ponto de partida para este trabalho foi a ideia nuclear extraída dp exercicio anterior (MARGINÁLIA), de onde foi retirada a conclusão de que a página funciona como um objecto dimensional e planificador (não só no sentido da sua bidimensionalidade mas também por ser um objecto programador e organizador) da realidade.

A partir das ideias visuais de espaço e de cidade de Borges, Walter Benjamin ou Calvino, que alimentaram as suas narrativas, proponho fazer uma reflexão e perceber de que forma os espaços influenciam a construção da página e em que medida a página é ou não a sua planificação

Proponho explorar a expansão da(s) geografia(s), para a página e vice-versa e perceber as relações entre o espaço e a visualidade. Encontrar aquilo que está invisível, nas paredes, nas ruas, que suscitam relações, ideias e que alimentam a imaginação. Em última analise explorar a página como elemento constituído por fragmentos retirados de outros contextos físicos.

Maio 2, 2011 / rbonacho

Página, Publicação como Página

Após as questões levantadas pela MARGINÁLIA, seguimos para um novo território que se iniciou a ser desbravado pelo exercicio anterior.A temática que se apresenta agora, PÁGINA, A PUBLICAÇÃO COMO PÁGINA (lógicas de negociação entre cultura impressa e cultura digital) surge como um novo território. Neste sentido a investigação centra-se agora sobre várias abordagens, de um lado a publicação independente (como crítica sobre design gráfico/comunicação), a autoria em projectos de design e do outro o design com imposições mais comerciais. Neste processo inverso de remediação, os novos media, constroem sobre esta temática novas questões que importam ao designer. De um lado a publicação independente (selfpublishing), situa-se nas periferias dos circuitos consagrados do design, à margem de imposições comerciais, com autonomia na produção, distribuição e subsistência assumindo um papel crítico (económico, simbólico, cultural, social e político). São o reflexo de uma investigação sobre os verdadeiros limites da profissão de designer (editor e produtor). Já no campo oposto o design fecha-se sobre si mesmo como disciplina na sua própria história e terminologia. Para além dos conteúdos textuais uma publicação resulta também das circunstâncias e constrangimentos que se assistem na sua produção. São as questões editoriais, técnicas, formais, materiais e de distribuição que determinam a identidade do objecto publicado. Supondo que a decisão editorial se manifesta primeiro na escolha do medium sobre o qual vamos publicar, importa depois que se lhe reconheçam as suas caracteristicas semânticas que pode depois transportar para o texto, ao mesmo tempo que esta escolha poderá modelar a identidade editorial da publicação do sujeito que a edita. O design pode ser convocado para a edição de um modo reflexivo, numa edição que afirma as suas caracteristicas semânticas e formais e ao mesmo tempo as questiona. Se nos debruçar-mos sobre estas questões não podemos deixar de convocar as possibilidades do design através da articulação destas com a edição, que legitime o designer enquanto editor. Os suportes de publicação transportam consigo significados processuais, metodológicos, contextuais, históricos e temporais que revelam questões ideológicas estruturantes do conteúdo. Neste sentido os suportes trazem já consigo um conteúdo que define por si só um discurso. Se fizermos uma retrospectiva veremos que os suportes estabelecidos no passado, podem gerar na edição editorial novas versões ou declinações, no entanto, devemos ter em conta que a apropriação de um suporte implica uma relação de continuidade face ao seu predecessor, mas que neste processo de apropriação se exige um posicionamento mais crítico para uma identidade editorial própria. Neste sentido as “publicações próprias são o reflexo de uma sociedade onde o acesso, a partilha e a globalização da informação é cada vez mais evidente”.

R. Klanten, A. Mollard, M. Hübner, (2011) Behind the Zines Self-Publishing Culture, Gestalten
Graphic, Self-Publishing Issue #10, Propaganda Press, Korea, 2010
De Bondt, Sara, Muggeridge, Fraser, (2009) The form of the book book, Calverts, Londres, Occasional Papers


Maio 2, 2011 / celiacastelo

PÁGINA

MORFOLOGIA EDITORIAL

Numa posição mais reflexiva (J. DRUCKER, 2003) e com base no raciocínio do projecto anterior, com consciência de que a ideia de página impressa se encontra em mutação, a par da página digital, em que ambas as linguagens que as compõem se complementam procura-se de uma forma não linear explorar o comportamento de tais linguagens e estruturas gráficas.

Elementos ou estruturas gráficas, como por exemplo a Marginália, não são meramente exploratórios ou estéticos, mas sim elementos que direccionam as funcionalidades cognitivas e que analisam a forma como a informação é disposta num território comum, como a página.(J. DRUCKER, 2003) Estes guias paratextuais, em que a sua hierarquia e a sua organização na página, são uma adjuvante na percepção das relações entre informações e contextos, determinando-lhes uma lógica estrutural. Este tipo de elementos demonstram variantes acessos a estruturas e derivas que demonstram uma possibilidade dinâmica ao acesso do conhecimento através de novas leituras e diálogos (leitura não linear); mais exemplificativo na exploração do espaço da página virtual que se reconfigura e se encontra actualizável mas que demonstra, desta forma, num espaço de comunhão, colaboração e inter-relação de temas que formam uma comunidade activa na produção de conhecimento.

Estas estruturas que compõem, por assim dizer uma morfologia editorial, são exploradas de uma forma mais figurativa e dinâmica num território digital, em que se investiga a interactividade através da sucessão variável às mais diversas temáticas – links. Este tipo de interpretação e utilização de certos elementos remetem para uma linguagem não linear muito semelhante ao processo cognitivo numa vertente rizomática.

A composição da página analógica, estuda esta dinâmica não só através da utilização de estruturas gráficas e textuais, como também, de elementos gramaticais, simbologias e estruturas que potenciam toda a composição textual e literária que demonstram alguma semelhança ao conceito de rede que se encontra latente na noção de hipertexto.

“Other authors such as Roland Barthes, Gillez Deluze and Felix Gutari, or Jacques Derrida, began to talk of the text as no longer being a line but a network. There should be no imposition of hierarchical organization of the parts in sequence from a beginning to an end; the text and the signs should be seen as products of other sequences, other books, or other discourses.” (TAPIA, 2003)

É com esta dicotomia, de uma forma relacional, que se explora a noção de paratextos, estruturas e morfologias num universo que abrange os territórios analógicos e digitais demonstrando que ambas as linguagens se complementam, nas mais variadas vertentes, num diálogo não linear. É através das noções de hipertexto e hipotexto, de Stuart Moulthrop e de Alejandro Tapia, com referências ao movimento Estruturalista e às suas relações (Johanna Drucker), com base numa metodologia de recolha de informação e referências que se interligam através de elementos gráficos, visualmente dispostos à margem.

“A hypertext is a complex network of textual elements. It consists of units or “lexias,” which may be analogous to pages, paragraphs, sections, or volumes. Lexias are connected by “links,” which act like dynamic footnotes that automatically retrieve the material to which they refer. Because it is no longer bookbounded, hypertextual discourse may be modified at will as reader/writers forge new links within and among documents.” (MOULTHROP, 1993)

Bibliografia:

DE BONDT, S., MUGGERIDGE, F. (2009) The Form of the Book Book. Londres, Occasional Papers.
DRUCKER, J. (2003). The Virtual Codex from Page Space to E-space. Conferência apresentada no seminário History of the Book, na Syracuse University. [Em linha]. Disponível em: <http://www.philobiblon.com/drucker/#johanna>
LUDOVICO, A. (2007). Paper and pixel, the mutation of publishing. [Em linha]. Disponível em: <http://www.neural.it/art/2007/07/the_persistance_of_paper_by_al.phtml>
MOULTHROP, S. (1991). You Say You Want a Revolution? Hypertext and the Laws of Media, in: The New Media Reader, Cambridge, 2003, The MIT Press, pag. 691-704.
TAPIA, A. (2003). Graphic Design in The Digital Era: The Rethoric of the Hypertext, in: Design Issues, V. 19. Cambridge, The MIT Press. [Em linha]. Disponível em: <http://www.mitpressjournals.org/toc/desi/19/1>.

Abril 30, 2011 / andreiadosreis

(NOT) “Everything that can be digital, will be.”

(1)

(2)

Partindo da fase anterior em que o meu objectivo foi o de colocar em questão a existência de um livro electrónico, afirmando que o mesmo deveria ser visualizado de outra forma, recolho aqui as minhas conclusões através de uma frase e de uma instalação. Aqui pretende-se criar um paradoxo entre analógico e digital, mostrando, de um modo mais directo, as principais características de cada um deles. Para isso recorri a projecções e a materiais físicos que simbolizam essa relação.

O trabalho, tal como as imagens o demonstram, encontra-se dividido em duas partes: uma instalação inicial(1) e um A0(2) que reforça a mesma (contendo o statement). Estes podem ser vistos separadamente ou em conjunto.

O espaço foi escolhido com vista a uma imagem directa do livro. Como tal, o trabalho encontra-se na intersecção de dois corredores, em que tanto pode ser visualizado no seu todo como apenas uma parte, sendo esta última considerada como a página.

A fita preta que define o A0 é entendida como a fronteira do livro físico que não deve ou não pode ser transposta (em oposição à página digital). Aqui a parede adquire uma dupla funcionalidade, apresentando-se tanto como a página em si como pelo suporte, englobando todas as suas características (cor, sujidade, textura) e transformando-as em marginália. Por outro lado, o A0 apresenta a característica de ser uma página sob um suporte sob outro suporte, em que o statement ao ser projectado sobre o mesmo, reforça ainda mais o paradoxo analógico/digital, mostrando, também, que apesar de algo poder ser digital e já ser ter tornado digital, não quer dizer que não possa continuar com a sua forma analógica.

STATEMENT

(NOT) “Everything that can be digital, will be”      Benny Landa, 1993

O statement apresentado é uma combinação de uma afirmação com a conclusão da mesma, podendo, deste modo, o statement englobar-se como “dois em um”. A afirmação foi dita por Benny Landa em 1993, referindo que “Everything that can be digital, will be“. Contudo, as conclusões que retirei da fase anterior levaram-me a acreditar que o mesmo não é necessariamente verdade apresentando, assim, a minha própria afirmação em que NOT Everything that can be digital, will be. Na apresentação deste trabalho, estes dois statements foram divididos e demonstrados de modos específicos e relativos ao que cada um representa.

A projecção do statement apresenta-se como o digital, obedecendo ao que a própria frase afirma, reforçando ainda mais o seu sentido. O digital não apresenta fronteiras físicas, na medida em que as mesmas podem ser “contornadas” por intermédio de Hiperlinks. Como tal, a projecção do statement ultrapassa as fronteiras definidas pela fita preta, mostrando o verdadeiro paradoxo e a verdadeira diferença entre digital e analógico. Por outro lado, a palavra NOT (que cria um outro statement) encontra-se colada na parede em fita-cola, directamente em cima da afirmação projectada, contrariando, deste modo, essa mesma frase ou completando-a. Esta palavra encontra-se em fita-cola, na medida em que remete para a parte manual referente à marginália, podendo, devido ao material, apenas ser visualizada de uma determinada perspectiva (esta representa as diversas opiniões e pontos de vista que cada pessoa terá desta afirmação em que cada um vê o que quer ou o que entende). A palavra NOT encontra-se, também, no centro da intersecção dos dois corredores, constituíndo-se, assim, como marginália, na medida em que se for visualizada apenas uma metade do trabalho (ou página), a palavra encontrar-se-á na margem.

Abril 22, 2011 / Mafalda Sequeira

Página > fase 1

«O prazer do leitor é o prazer do mirone. Seguro, mas impotente.» é uma citação retirada do livro Cibertexto: Perspectivas sobre Literatura Ergótica, de Espen Aarseth, que se refere ao papel do leitor em textos com narrativa linear. Dando continuidade à investigação começada no projecto Marginália, e inserindo-se a abordagem no tópico Navegação/Leitura, pretendo explorar essencialmente a relação do leitor/utilizador/consumidor com o escritor/autor/produtor e as implicações inerentes às formas de leitura, nomeadamente narrativas lineares e não-lineares.

A não-linearidade é comummente associada ao hipertexto e às novas formas de leitura (ou navegação) no ecrã. No entanto, a não-linearidade também se encontra presente na página impressa. As notas (de rodapé, marginais…) são uma das formas de associação que mais frequentemente encontramos no livro. Começando por explorar a ideia de nota, nota-de-nota, nota-de-nota-de-nota (etc.) [1] e a sua relação com a não-linearidade de uma narrativa, procurei, numa primeira abordagem, construir um sistema de associações que se aproximasse ao das notas. Teríamos um texto principal numa página, notas associadas, e a necessidade de explorar o espaço fora da página pela quantidade de notas que lhe fariam referência (e referência-de-referência, referência-de-referência-de-referência [etc.]).

Não tendo esta primeira tentativa resultado como o desejado, devido à complexidade e à quantidade de notas que procurei associar, tive necessidade de repensar o modo de associação entre as várias referências. Assim, no segundo cartaz, as relações não são estabelecidas através de notas, mas de repetições de palavras na horizontal. Existem dois planos de leitura, um ao longe, de leitura mais rápida, e outro ao perto, onde o leitor pode navegar, percorrendo caminhos pré-existentes ou mesmo descobrindo novos. Tendo começado por construir o sistema de relações a partir do texto central, tal não implica esse tenha necessariamente de ser o ponto de partida da leitura, podendo esta iniciar-se por qualquer ponto.

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Na exploração do tema, o leitor pode encontrar referências relativas:

_à liberdade e explosão da informação

_à autoria

_ao papel do leitor/utilizador/consumidor

_à inteligência colectiva e participação na Web

_aos modos de leitura e escrita

_ao livro analógico e as suas formas digitais

_à relação entre conteúdo e valor da informação (fiabilidade)

.

[1] Referido por Mattia Denisse na aula de Design Editorial e Novos Média
Abril 22, 2011 / rutemorais

A página :: Fase 1 :: Apresentação de declaração

Por Rute Selésio de Morais

A obra «aberta» tende a promover no intérprete «actos de liberdade consciente», a colocar o leitor como centro activo de uma rede de relações inesgotáveis [1].


Utilizando o conceito de obra aberta a que se refere Umberto Eco, uma obra que postula uma livre intervenção interpretativa por parte dos seus destinatários[2], apresento o meu statement fazendo uma analogia a essa abertura da obra, com a abertura do texto, da palavra, assim como através do sentido da própria citação impressa no A0 – como uma obra que exibe características estruturais que estimulam as  interpretações do seu intérprete. Isto porque o destinatário de um texto extrai dele o que ele não diz (mas pressupõe, promete, implica, subentende)[3]; para além de uma outra analogia à obra do artista Samuel Van Hoogstraten, Peepshow, do século XVII que nos remete através de uma caixa perspética com diversas pinturas no seu exterior (que correspondem a capítulos de um livro do próprio autor) para algo por descobrir e que nos permite, através de dois orifícios, olhar para o seu interior, um mundo onde cada um de nós se sente presente, através do acto de espreitar.

Assim, procurei trabalhar a ideia de obra aberta sempre ligada à ideia de que a página e o texto têm outras correspondências exteriores (leia-se, interiores) a si, isto é, que se desdobram e que se aprofundam. Tudo isto porque desde a primeira fase de trabalho – Marginália, o meu interesse foi sempre o de explorar o texto e a página onde ele próprio se insere, como algo permanentemente em construção e em profundidade, em associação.
Para isso utilizei uma citação de Pierre Lévy[4] que tende a resumir aquilo que para mim são os actos e/ou aspectos mais importantes perante uma página e um texto: negligenciar o seu conteúdo, relacionar, viajar na margem, construir um (novo) sentido transversal, (re)costurando e desdobrando o que nos é oferecido pelo autor. Daí ter recortado as palavras do texto[5] que mais caracterizam isso, com o objectivo de ser feito uma espécie de reforço às ideias ligadas a elas e, em primeira instância, ter experimentado algo com uma aproximação interpretativa e formal da página maior por parte do leitor/ observador[6].

Desta forma o objectivo era chamar o observador do cartaz e convidá-lo, de certa forma, a entrar dentro deste texto, desta citação e, individualmente, dentro das palavras, que abrem novos lugares, novos universos a outras citações.

Em suma, apresento uma vez mais a página como lugar de construção que estabelece ligações com outra página e nas quais o seu conteúdo comunica, abre e expande universos, onde se relaciona, se (re)costura e faz pensar. Tudo com o principal objectivo de posteriormente desenvolver algo que reflicta a profundidade que os textos e as páginas têm, ao poderem comunicar entre si e, por outro lado, o poder que têm de invocar o leitor/ observador/ intérprete para o seu meio, fazendo-o reflectir e negligenciar sobre o seu conteúdo.
Assim sendo, procuro explorar este jogo de construção e desconstrução através de associações entre conteúdos diversos e que carecem sempre de um leitor activo perante a informação.

________________________________
[1] ECO, Umberto (2009), Obra Aberta, Lisboa: Difel, p.69
[2] Idem; p.7
[3] Idem 
[4] Ler é começar a negligenciar, a ‘desler’ ou desligar o texto. Ao mesmo tempo que o rasgamos pela leitura, amarrotamo-lo. Dobramo-lo sobre si mesmo. Relacionamos os seus membros dispersos na superfície das páginas ou na linearidade do seu discurso e costuramo-los juntos.
Seguindo ou não as instruções do autor, viajamos de uma margem à outra do espaço do sentido valendo-nos de um sistema de endereçamento e de indicações que o autor, o editor, o tipógrafo balizaram. Mas podemos desobedecer às suas instruções, tomar caminhos transversais, produzir dobras interditas, estabelecer redes clandestinas, fazer emergir outras geografias semânticas.
O trabalho da leitura reflecte esse acto de rasgar, de amarrotar, de torcer, de recosturar o texto para abrir um meio vivo no qual se possa desdobrar o sentido. O espaço do sentido não preexiste à leitura. É ao percorrê-la, ao cartografá-la que o fabricamos.

[5] As palavras recortadas são:
Negligenciar; Relacionamos; margem; sentido; transversais; recosturar; desdobrar.
Às quais correspondem sempre citações diferentes, respectivamente:

O texto está entretecido de espaços em branco, de interstícios a encher e quem o emitiu preciava que eles fossem preenchidos e deixou-os em branco por duas razões. Antes de mais, porque um texto vive da mais-valia de sentido que o destinatário lhe introduz. E, em segundo lugar, porque um texto pretende deixar ao leitor a iniciativa interpretativa. Um texto quer que alguém o ajude a funcionar. (Umberto Eco)

Relacionamos o texto a outros textos, a outros discursos, a imagens, a afectos, a toda uma imensa reserva flutuante de desejos e de signos que nos constitui. Quando lemos não é a unidade do texto que está em jogo, mas a sua construção, inacabada. Eventualmente teremos relacionado os seus fragmentos, com determinadas zonas da nossa arquitectura mnemónica e outros com determinados trechos da nossa rede intelectual. Depois de lermos um texto, em breve, dele nada mais resta. (Pierre Lévy)

A página, território cercado pelo branco das margens, lavrado de linhas e semeado de letras estabelece um imenso plano semântico, que todos podem ajudar a produzir, a dobrar diversamente, a modificar, a dobrar de novo. A página coloca-nos na posição de flanneurs numa viagem indeterminável. (Pierre Lévy e Sofia Gonçalves)

A obra «aberta» tende a promover «actos de liberdade consciente», a colocar o leitor como centro activo de uma rede de relações inesgotáveis. (Umberto Eco)

Uma só palavra pode tornar-se num nó de significados, cada um dos quais pode encontrar-se e ligar-se com outros centros de alusão, abertos ainda a novas constelações e a novas possibilidades de leitura. (Umberto Eco)

O acto de leitura é uma actualização das significações de um texto, já que a interpretação comporta uma parte não eliminável da criação. (Pierre Lévy)

Não é mais a unidade do texto que está em jogo, mas a sua construção sempre inacabada. Não é mais o seu sentido que nos ocupa, mas a direcção do nosso pensamento. (Pierre Lévy)

[6] Nesta primeira fase, através da mesma citação, cada uma das suas palavras era removível e no seu verso apresentavam outras citações e palavras, onde cada leitor podia ajudar a construir um novo texto. No fundo, o objectivo era construir e desconstruir o texto através da contribuição dos próprios leitores-autores. Demonstrando a tal abertura de interpretação e associação da obra e da sua página, assim como o poder do leitor sobre as mesmas – (fotografias :: 001 | 002 | 003).

Abril 19, 2011 / marianacparaujo

Pá gi na – “Não como um Ob-jecto mas como um Pro-jecto”

Tal como a página resulta na fragmentação do livro em si, de uma mensagem fragmentada se compõe uma composição holística.
Não existem margens nem limites, apenas sobreposições infinitas.

Não existe um objecto que imponha fronteiras, apenas um projecto principiado e aberto às participações alheias.

Qualquer um é livre de acrescentar a sua parte, a sua interpretação ou o seu entendimento e é para isso que, neste trabalho, estão presentes os meios que permitem a interacção com o objecto e, a partir dele, criar outros propósitos, formas de leituras ou visões.
A partir do meu discurso outros virão.

A marginália é esta continuidade e é para isso que serve a página – para ser iniciada.
Três frases se conjugam e se sobrepõem em planos diferentes –
A informação torna-se disposta e disponível num só foco de atenção.

Um cruzamento literal e visual de vários leitores-escritores cujos comentários se interligam.

“Não como um ob-jecto mas um pro-jecto, ao virtualizar a sua realização.” (Babo: 1999)

– de forma a ser melhor entendida por quem lê, ao mesmo tempo que interligam e constroem um novo sentido:

a informação torna-se disposta

um cruzamento literal e visual

e disponível num só foco

de vários leitores-escritores

de atenção

não como um objecto

mas um projecto

ao virtualizar a sua realização.

Os meios estão dispostos, sirvam-se da mensagem.

Abril 19, 2011 / renatodga

On The Self-Reflexive (But Blank) Page

Se considerarmos a linguagem do autor um enigma e a página como fornecedora de pistas para o resolver, depreendemos que é no leitor que as palavras inscritas no papel realmente ganham um significado. A página pode (e deverá) funcionar como um reflexo do leitor, contendo uma narrativa visível apenas aos olhos de quem a lê/cria.

As potencialidades da página enquanto veículo de uma determinada mensagem por parte do autor; um exercício de reflexo e de expressão pessoal do leitor, dando-lhe a oportunidade de ser também autor de uma nova narrativa e a “suposta” página em branco como ponto de partida de uma narrativa, foram alguns dos princípios por mim assimilidados para a criação do projecto.

Ao utilizar os mesmos conceitos subjacentes ao meu projecto Marginália, foi-lhes dado um novo enquadramento, subvertendo a função do leitor e do autor, dissimulando as barreiras entre quem cria o texto e quem o lê.

Ao permitir ao interveniente fazer a marcação das palavras ou frases dignas de nota, reproduz-se o acto e o efeito que está na base do conceito de marginália: a personalização do espaço por parte do leitor.
Apesar de aparentemente branca, a página funciona como reflexo da individualidade e da unicidade do leitor.
Links
Text (acompanhante do A0)
Abril 19, 2011 / ramalhodiogo

PÁGINA_FASE 1: EXODUS (statement)

(OPEN POSTER.GIF)

STATEMENT

A página configura-se como um sistema aparentemente fechado, conformado nas suas estruturas e aberto no seu conteúdo. No entanto, assiste-se, na página, a um confronto territorial entre centro e margem e entre os domínios que cada um delimita. Está-lhe inerente uma dialéctica entre estes dois territórios, nos quais as fronteiras não são tão solidificadas.

A página é o ponto de partida para múltiplos processos de transformação que operam do interior dela para fora [output] ou do exterior para a página [input]. Desenvolve-se um plano de acção, de mobilização territorial de uma batalha entre as fronteiras da página, onde se começa a entender que um centro de um objecto é a margem de outro e vice-versa.

Ao questionar-se a territorialidade da página, procura-se, em simultâneo, repensá-la nesta transição do impresso para o digital, como uma partida à descoberta de novos continentes, de novos territórios que já não são representados nos mesmos mapas, propondo-se uma espécie de exodus, ou saída, do papel para o pixel, entendido não como um abandono, mas como uma alteração dos eixos existentes, numa rotação de modos, ferramentas e localizações e a introdução de novas percepções.

A saída é o ponto de partida para a transformação, mas prevê em si o desvio e o retorno.

«Each time the media reinvent themselves, they expand the number of choices without excluding any of the previous ones. On this simple level, the net and the literary space – the thinking space that it creates – will allow a whole new space.»
KELLY, Kevin, /John Brockman(ed)Digerati. London: Orion, 1997

O exodus do papel para o pixel desenha-se então num novo mapa fragmentado em quatro quadrantes distintos que se intersectam: território, percepção, informação e acção.

TERRITÓRIO: Marcação de um ponto, a coordenada, espaço e matéria, exploração, saída e retorno

[01 territorial invasion 02 portability 09 explore 10 exodus 12 tactics 13 digital nomadism]

«(…)the journey; not being there in the present but in a sort of future. Not simply from A to B before going to C and D, but wanting to jump from A to E. Wanting somehow to skip the journey.» >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>>> in hypertext you can have A,B,C,D,E simultaneously
«The Internet is not just a collection of ‘pages’, The Internet is an environment, a landscape, through which people | users move and in which they ‘live’»
SCAVETTA, Francesco, Like Climbing a Mental Iceberg. Bypass issue 2, Évora, 2010-11

O território consiste nos espaços físicos, virtuais, imaginados ou recriados, onde a página se insere e de onde se começam a traçar os planos de organização, expansão e tácticas territoriais de abertura dos limites e fronteiras da página: from paper to pixel.

PERCEPÇÃO: Matéria e realidade, interrupção, os quatro ângulos indicam uma descontinuidade no fluxo, transformação

[04 change in scale 05 reality/illusion 08 parallax 11 memory 14 déja-vu 15 sensory input 21 hidden/visible]

_Perception – process by which an organism attains awareness or understanding of its environment by (re) organizing and (re) interpreting sensory information.
«1+1=3>>>>>>>>>You can take two substances, put them together, and produce something powerfully different (table salt9, sometimes even explosive (nitroglycerine.)»
ACKERMAN, Diane, in FLETCHER, Alan, The Art of Looking Sideways, New York: Phaidon Press, 2001

Do papel ao pixel, a tinta transforma-se em electrões, o tacto em scroll, a visão em alucinação.  Parte-se para novos territórios, nos quais é necessário quebrar convenções, subverter estruturas, rodar eixos, intervir nos limites para criar um objecto novo, introduzir a descontinuidade inerente à transformação.

INFORMAÇÃO: Olhar, construção cícilica, conhecimento, cache, registo, arquivo, retorno

[03 repository 07 access 17 digital 18 analogic 22 archive]

_cache – component that transparently [hidden/revealed] stores data so that the future requests for the data can be served faster.
_return statement – causes execution to leave the current subroutine and resume at the point in the code immediately after where the subroutine was called – return address.

A possibilidade do desvio e retorno que estavam prometidos no momento da saída, introduzindo a possibilidade de recomeçar [CMD + TECLA Z = UNDO] , de voltar à página de partida a qualquer momento.

A página impressa e a digital coincidem na mesma grelha, mas localizam-se em planos diferentes, e os modos de navegação e de transposição entre planos não são lineares.

ACÇÃO: Intenção, direcção, convergência, orientação, revolução

[06 surveillance 10 stretch boundaries 19 tracking/tracing 20 encrypt/decrypt]

«Exit is not about quitting, it is rather about reversing power structures and frames, new modes of digital nomadism that move towards a more liberated networked land.»
“The Right To Exit”, Transmediale, Berlin, 2011

«Our road is not built to last a thousand years, yet in a sense it is. When a road is once built, it is a strange thing how it collects traffic, how every year as it goes on, more and more people are found to walk thereon, and others are raised up to repair and perpetuate it.”
STEVENSON, Louis Robert, in STEFIK, Mark, Internet Dreams, Cambridge, MIT Press, 1996

Acção, nos instrumentos musicais, é um mecanismo que transfere o movimento das cordas para a criação do som; é a trajectória de exodus, que se inicia sempre no individual e parte para o colectivo, para a recriação de novos mapas, de novos territórios, dos novos continentes digitais.

we can
If we can change the maps, can we change other rules?

CARTAZ /STATEMENT: [POSTER.GIF]  [POSTER.PDF]

DATABASE: [MARGINALIA SCRIPT1]   [PAGINA SCRIPT2]

PHOTOS: [001]   [002]   [003]   [004]   [005]   [006]

Abril 19, 2011 / fasteranaagogo

A NARRATIVA COMO LUGAR INSTÁVEL / APágina FASE 1

Ao ler um livro impresso, é-nos contada uma história quase sempre através de uma narrativa linear, unidireccional.
As nossas interpretações são, numa primeira instância, guiadas pela ordem rígida estabelecida pelas palavras.
Naturalmente, dentro deste espaço bidimensional, há lugar interpretações e recriações da história, por um lado, através de marginálias pessoais e, por outro, através do imaginário mental de cada um.

A0 (base de projecção impressa)

projecção sobre papel impresso (versão estática)

Quando essa mesma narrativa se traduz no espaço digital, as possibilidades de representação desses imaginários parecem evidenciar-se.

Se por um lado a narrativa deixa de ser linear (zoom, hiperligações, …), por outro, a sua forma também se desconstrói. As palavras, antes compostas com rigor sintáctico e semântico, parecem agora existir numa nova dimensão. Assumindo que elas são partes (i.e. pedaços – “chunks”), integrantes uma estrutura inicial, há possibilidade de se transformarem com a intervenção do leitor. A sua representação não é só espacial,  mas também temporal. Assim, é dada a possibilidade ao leitor de intervir mais activamente, atribuindo novos formatos “multimediais” às palavras, acrescentando-lhes outros significados.

Cada “chunk” é mutável e as suas relações com os outros também.
Por isso, a estrutura de qualquer narrativa torna-se instável e mais pessoal. O leitor depara-se com uma musicalidade alcançada pela nova composição de palavras.

Não obstante, é inquestionável a autoria original de determinado texto, inscrevendo-se no entanto uma nova autoria, a do leitor.

A página digital é, assim, um novo campo de acção e de exploração. Neste contexto, surge a metáfora da passagem literal do papel para o pixel como potenciadora de significados. Tendo o papel impresso como tela de fundo, procura-se levar às últimas consequências a sua forma (gráfica e sonora). O resultado é a reconstrução da narrativa após uma fase inicial de decomposição da mesma. Som, movimento, linhas e formas são as componentes utilizadas para recriar esta nova dimensão.

projecção sobre papel impresso (versão dinâmica)

TEXTO CORRESPONDENTE AO CANAL SONORO DA INSTALAÇÃO

{

Please pay attention to the following instructions.
Notice that the voice will invade your brain and will alter your sense of reality.
Follow the steps in order to read through the page.

***********************

chunk.
column 1.
level B.

Means starting point.
In, at, or to that place or position.
You might start thinking where you really are.
do you remember the coordinates of here?
elastic messages.

chunk.
column 3.
level B.

Abbreviation, not a figure of speech.
action, state, or occurrence.
the opposite of void is where the matter is.
Modern man has lost the option of silence.

chunk.
column 2.
level C.

Sufficient to meet a need or satisfy a desire.
Fragmented memories is sometimes what you get.

chunk.
column 1.
level D.

Denoting a change of position or condition on the properties of the matter.

The structure of the text should be imagined like a complex molecular model.
Numbers, Letters, Shapes, and Lines, encode the matter.

chunk.
column 3.
level D.

a state of enclosure of an organized unity.
The viewer is physically engaged in an interaction with the object on display.

chunk.
column 2.
level E.

a cross marks the spot. or not!
a non-point.
A Boolean operator with only one variable.
Transmute the emptiness into space.

chunk.
column 1.
level F.

In order to read the new art, one must apprehend the book as a structure. identifying its elements and understanding their function.

PURE DATA.

from node to nexus.
real-time graphical programming environment.
optical and acoustic data.
an air line of words can now be demonstrated experimentally.

chunk.
column 3.
level F.

The two-dimensional pixels of the projection become three-dimensional points in space.

we should show some concern.

Inter-subjective communication occurs in an abstract, ideal, impalpable space.

chunk.
column 2.
level G.

you arrived to the point of convergence.
means either end or beginning of narrative.
not exactly a full stop.

if you consider to stop here. you should be aware that meaning could be incomplete and errors may occur.

***********************

}

Abril 16, 2011 / rafaelacoelho

A PÁGINA: a publicação como página _FASE1


ZOOM (verbo) implica uma acção – zoom in and zoom out

Especular sobre as potencialidades do zoom. O acto de fazer ZOOM IN e / ou OUT na página, em dispositivos analógicos e digitais, o que nos traz à MEMÓRIA?

Zooming permite uma aproximação ao detalhe e um afastamento para uma leitura e observação mais alargada e geral do objecto apresentado, aumentando e reduzindo o nosso campo visual não somente do objecto em si, mas também pelo espaço onde está inserido.

Esta definição de zoom é-nos apresentada nos vários dispositivos analógicos e digitais que hoje temos acesso. Levantam-se questões essencialmente sobre a sua funcionalidade que o define não somente como um efeito  e técnica óptica, mas como um conceito.

“(…) Potential for shifting its form and for mutating its being.” (Laura mulvey).

De que modo o zoom poderá ajudar no entendimento da PÁGINA?
Assumindo-o como conceito, podemos e devemos explorar o seu potencial ao seu expoente máximo:
Navegação multidireccional | especificidade de lugar e não lugar na página | movimento e aceleração | estado de ilusão e uso da imaginação | construção de novas narrativas – não lineares.

Todas essas possibilidades e campos de exploração, serão devolvidos para a nossa MEMÓRIA.



Março 30, 2011 / fasteranaagogo

marginália // ana malheiro

 

Março 30, 2011 / Prof. Victor Almeida

PÁGINA / A publicação como página

pagina

 

Março 26, 2011 / rutemorais

Marginália :: De notas à margem à referencialidade

Por Rute Selésio de Morais

O objectivo desta publicação é propiciar, por um lado, uma viajem visual e formal sobre inúmeras notas à margem, através de excertos de diversos livros, assim como de leituras cruzadas pessoais ou de outros autores, apresentados em primeira instância no volume inicial. No fundo, e tendo em conta o trabalho desenvolvido no semestre anterior, a publicação reflecte sobre o facto da página sofrer mudanças com a passagem do paradigma para o digital assim como sobre toda a informação gerar mais informação.

O que se propõe, então, é pensar o livro e a sua página, web ou não, como uma espécie de cidade sobre a qual, como refere Ellen Ullman (à semelhança do que acontece com as linguagens de programação), o conhecimento é construído e a informação disponibilizada, layer sobre layer, sempre sobre ruínas. Assim, pensar a página tanto tradicional como digital com a característica de palimpsesto, na medida, em que cada leitor pode acrescentar informação útil para o conhecimento, assim como na medida em que se revela algo permanentemente em construção, isto é, que nunca pára de se construir e dificilmente tem um ínicio ou propriamente um fim.

Em suma, apresenta-se a página como espaço aberto, que comunica com tantas outras páginas e que, cada vez mais, pressupõe uma navegação que, como refere Piérre Levy, se revela através de um acto de costura e recostura, como demonstra o próprio trabalho – uma leitura crítica da parte do autor/leitor que, ao contrário do que acontece com Ireneo Funes, personagem criada por Jorge Luís Borges, consiga dar sentido e retirar algo de útil de uma memória tão grande como a do livro e em constante transformação como se revela a da web: A página como cidade e/ou a cidade da Página.

Por outro lado, através da ideia da técnica cut up que pressupõe um texto não-linear, a partir do corte e do posterior reposicionamento dos fragmentos (que de alguma forma também pode ser visto como Marginália), alimenta-se a ponte entre o semestre anterior, com o segundo objecto que complementa o primeiro – a ideia de que através de camadas de informação (páginas de diversos livros), se criam novas relações entre objectos, ainda que cada um deles tenha características diferentes, neste caso, principalmente tipográficas, e que cabe ao utilizador/ leitor, ter uma atitude activa perante aquilo que lhe é apresentado, construindo de alguma forma um percurso à semelhança do que acontecia no projecto anterior.

Desta forma, a página reflecte-se como algo contínuo, constituído por diversas páginas, que comunicam em e entre si. Em suma, repensar o espaço da página – o que é afinal exterior e interior,  tal como o artista Gordon Matta-Clark pensa o espaço de edíficios; e entrar neste espaço da página-livro, como Helena Almeida entra na tela.


Parte I

Parte II

Principais referências:

> ARTNET (s.d.)
Helena Almeida,
[consult. 2009], disponível em http://www.artnet.com/artists/helena-almeida/

> BABO, Maria Augusta (s.d.)
Os desafios do Hipertexto, [consult.2011], disponível em
http://interact.com.pt/memory/12/Interact12_home.htm

> BORGES, Jorge Luís (1944)
Ficções
, Lisboa: Livros do Brasil

> BORGES, Jorge Luís (1983)
O livro de Areia, Lisboa: Editorial Estampa

> DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix (2007)
Mil Planaltos – Capitalismo e Esquizofrenia 2, Lisboa: Assírio & Alvim

> ECO, Umberto (1983)
A Biblioteca, Lisboa: Difel – Difusão editorial

> FURTADO, José Afonso (2000)
Os livros e as leituras – Novas Ecologias da Informação, Lisboa: Livros e Leituras

> GONÇALVES, Sofia (2009)
Página: espaço de reconfiguração do Design de Comunicação pela Cultura Digital, [consult. 2011], disponível em http://laboratorio2fbaul.files.wordpress.com/2009/03/sg_cibertextc692.pdf

> LELLOUCHE, Raphaël (2004)
Théorie de l’écran
, [consult. 2010], disponível em http://testconso.typepad.com/theorieecran.pdf

> LÉVY, Pierre (2001)
O que é o virtual?, Lisboa: Quarteto

> NEGROPONTE, Nicholas (1979)
Books without pages, Cambridge, Massachusetts: Architecture Machine Group, Massachusetts, Institute of Technology

> SMYTH, Ned (s.d)
Gordon Matta-Clark, [consult.2009], disponível em http://www.artnet.com/Magazine/features/smyth/smyth6-4-04.asp

> ULLMAN, Ellen (1998)
The dumbing-down of programming
, [consult.2009],
disponível em http://www.salon.com/21st/feature/1998/05/cov_12feature.html

Março 25, 2011 / andreiadosreis

MARGINÁLIA

Marginália

Transparência

Reflexão